sábado, 24 de novembro de 2007

Poema 1

"Autopsicografia"

O poeta é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve
Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

(Fernando Pessoa, Cancioneiro)

O poeta sofre, sofre, sofre e então resolve criar um poema a respeito da tua dor. Mas a partir do momento que passa a escrever ele passa a fingir tua dor, a dor escrita não é a mesma dor que ele sente, é presciso fingí-la para poder passá-la em palavras. Então agora há duas dores do poeta: a fingida e a real.
Mas há uma terceira dor, a dor lida. A partir do momento que o leitor entra em contato com o poema ele começa a interpretar uma dor que não é a fingida assim como não é a dor real do poeta. E assim o poeta manipula com as palavras a dor do leitor "Gira, a entreter a razão".

2 comentários:

Champloo disse...

Pouts Fernando Pessoa é foda.. é o único cara q consigo ler os poemas, pois odeio poemas xD
Me senti tão mais tão bem quando li Alberto Caeiro..
Mas essa coisa de dor é verdade, tem algumas leituras, não só poemas, q o faz sentir dores q vc nem sabia q possuía.. mas continuar tendo essa dor já é opção, continua se quiser hehe..
Atualizei o meu tb Hiro-chann vc me inspirou! xD
Bessitoooosss boa semana! ^^

Champloo disse...

Te deixou feliz?? Séeeeerio Hiro-chaaan? *____*
Q boooooooooooooooooooom T-T

Conto o q aconteceu simm! Gosto de contar minhas experiências.. precisamos sair! Quer ir no cinema comigo, Gabi, Dani e Kaka semana q vem? Vamos ver Jogos Mortais 4 :D
Vamos Hiroooo! \o/